segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Cerca

Samuel L. Jackson é um péssimo vizinho

O VIZINHO
(Lakeview Terrace; EUA, 2008)
Dir.: Neil LaBute
Com Samuel L. Jackson, Patrick Wilson, Kerry Washington, Jay Hernandez
1h50 min - Suspense


Uma vez li uma crítica de uma revista que adoro, dizendo algo sobre a capacidade de Samuel L. Jackson mudar completamente de expressão utilizando apenas um olhar. Se Pulp Fiction não te esclareceu isso até hoje, talvez seja hora de você passar vista sobre este "O Vizinho". Nada com uma história simples e uma interpretação boa para levantar o que poderia ser um filme bem bobinho.

O filme começa com o casal Chris e Lisa Mattson (Patrick Wilson e Kerry Washington) se mudando para o condomínio Lakeview Terrace. Um lugar pacato e bucólico, preservado não-oficialmente pelo policial destemperado Abel Turner (Samuel L. Jackson, o tal vizinho). Viúvo, pai de dois filhos e ultra-conservador, Turner começa a implicar com casal interracial recém-chegado. O que era apenas implicações, toma contornos mais drásticos quando Chris resolve revidar as provocações. 

"Querida, você deixou ele nadar na nossa piscina?"

O filme beira a irregularidade e o pastiche, salvo a mão precisa do diretor Neil LaBute e o carisma assustador de Jackson. Aqui reside a verdadeira força do filme. Jackson se transforma em um elemento-surpresa a cada virada do roteiro competente. A segurança e a confiança travestida na insanidade de Turner é sentida de forma impressionante pelo público. E se o seu lado sádico permitir, porque não, torcer pelo vilão? O desfecho previsível e algumas condutas mais infantis dos personagens não estragam as duas horas de diversão que o filme proporciona. E depois checar as fechaduras da porta antes de dormir.

Nota 7,0

Trailer:

Faça Você Mesmo

A homenagem de Michel Gondry ao cinema. À sua maneira

REBOBINE, POR FAVOR
(Be Kind, Rewind; EUA, 2008)
Dir.: Michel Gondry
Com Jack Black, Mos Def, Danny Glover, Sigourney Weaver
1h50 min - Comédia

Filmes que surpreendem. Filmes que falam diretamente com o espectador. Filmes que exprimem paixões de pontos de vista nunca convencionais. Quem não conhece o trabalho do cineasta francês, Michel Gondry, pode muito bem se iniciar com este fantástico "Rebobine, Por Favor". E fantástico em diversos sentidos da palavra. Não só o filme não se preocupa em se prender à realidade, como é um filme excepcional.

Jerry e Mike são dois moradores de uma pequena comunidade próxima a Nova York. O primeiro trabalha na usina da cidade e perturba o segundo, funcionário de uma peculiar locadora de filmes que só trabalham com alguns títulos em VHS. Contrariando o dono, Jerry acaba entrando no estabelecimento comercial e após um acidente, acaba por desmagnetizar os títulos. Para não perder a clientela, os dois resolvem "refilmar" os clássicos do cinema para uma das clientes. De "Caça-Fantasmas" a "Conduzindo Miss Daisy", os filmes "suecados" com uma câmera precária acabam se tornando sucesso nas redondezas, atraindo a comunidade e outras pessoas que não veem o novo negócio com bons olhos.

"Desculpe, não trabalhamos com filmes pornográficos..."

O filme não é exageiro. É uma verdadeira declaração de amor de um cineasta pela arte que faz. Uma declaração de amor de todos os envolvidos, na verdade. Ainda mais se focarmos nos desdobramentos dos personagens para terminar suas obras para que uma cliente possa entender a história de um filme, independentemente de como ele é executado. Jack Black e Mos Def dão um show a parte. Michel Gondry imprime um relato honesto do suor e a consequente recompensa de dar vida a personagens fictícios (ou não) para uma platéia, sem se preocupar com o resultado. O sucesso é apenas consequencia de uma paixão. Pontos pela bravura de um roteiro inspirador e por gags simples e diretas. Não se atém a discussões amplas sobre piratarias, mas apenas pela união de pessoas por um bem comum. Ganha meu voto com facilidade. E um "hurra" ao cinema independente!

Nota: 9,5

Trailer:

sábado, 21 de março de 2009

Alma de Cult

Depois de ignorado nos cinemas, finalmente o lançamento em DVD.

SEGURANDO AS PONTAS
(Pineapple Express; EUA, 2008)
Dir. David Gordon Green
Com Seth Rogen, James Franco, Danny McBride, Rosie Perez
1h51 min - Comédia


Não vou entrar em discussões longas. Vou convidá-lo a lembrar de filmes que envolvem personagens digamos, influenciados, pela maconha. Desde os dois grandes maconheiros do cinema recente (Cheech e Chong), passando pelo genial Jefferey Lebowski e terminando em Saul Silver. O tema é sempre sobre personagens chapados, enfrentando situações absurdas e se safando com soluções diferentes. Talvez pensando nisso, a turma de Judd Apatow (que geralmente envolve Seth Rogen, Paul Rudd, Will Ferrell e Steve Carell) escreveu este "Segurando as Pontas", que apesar do título nacional cafona, tenta prestar homenagem.

Dale Denton é um fiscal de justiça que passa os dias se disfarçando para entregar notificações. E passa os dias fumando. Ao testemunhar um assassinato e deixar um tipo de maconha raro no local do crime (O Pineapple Express do título original), Denton e seu fornecedor (James Franco, hilário) passa a ser perseguido por um criminoso grande e por uma policial corrupta.

"Esse cara precisa de um banho..."

Entre o cult e o clássico, Segurando as Pontas não será o clássico. Porque há momentos de diálogos calculados, cenas de lutas sensacionais (de fazer muito filme de ação querer ser mais), e soluções absurdas para problemas que parecem sérios. O fato do filme não se levar a sério em momento algum cativa a audiência fiel e rende piadas inegavelmente engraçadas. Apesar de Seth Rogen estar um tanto apagado, o espectador torçe naturalmente para que Franco assuma mais tempo na tela. Seu personagem é de um carisma tão grande (apesar de chapado o filme todo) que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e o esquete mais engraçado da cerimônia do Oscar. Apesar das cenas com armas de fogo e afins forçarem soluções constrangedoras, "Segurando as Pontas" é fortemente indicado para quem gosta de assistir cinema despreocupado e de rir da desgraça alheia sem ter que pensar no mundo real. Não é Cheech, nem Chong. Nem Lebowski. Mas com o passar dos anos, terá o seu lugar entre os "Cult" do novo cinema.

Nota 8,5

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Gere, eterno

Fórumla "corações partidos se encontram" em ação!

NOITES DE TORMENTA
(Nights In Rodanthe; EUA, 2008)
Dir.: George C. Wolfe
Com Richard Gere, Diane Lane, Viola Davis, James Franco
1h 37 min - Drama


Roberto Carlos deve esgotar em breve as possibilidades de combinar a palavra "amor" em suas canções. E Richard Gere, os diferentes tipos de romances em suas carreiras. Sempre fazendo o tipo galã, construiu uma carreira de grande sucesso junto ao seu público fiel com papéis que variam desde ricaços procurando prostitutas em Beverly Hills até maridos traídos por sedutores franceses. Mas funciona. Ou não?

"Noites de Tormenta" é sua mais nova incursão no campo do romance. Ele interpreta Paul Flanner, médico atormentado que saiu (ou fugiu?) de casa em circunstâncias misteriosas para se hospedar em uma pousada na costa do estado da Carolina do Norte. Cuidando da pousada temporariamente está Adrienne Willis, moça que foi traída pelo marido e tenta se reerguer na difícil tarefa de administrar a casa. Eles passarão um final de semana juntos, isolados graças a um furacão que deve passar pelo local nas próximas horas. Uma balinha de menta para quem adivinhar o que acontece a seguir.

"Olha, não é aquele francês do "Infidelidade?"

Não é um filme ruim. É apenas um filme batido. Nada do que você verá a seguir será inédito. Nem a (corajosa) tentativa do final diferenciado irá causar espanto. É mais um exemplar de Richard Gere em um filme onde se fareja as coisas acontecendo há 30 minutos de distância. Vale o programa quando acompanhado, num dia de chuva ou num dia mais calmo. Ou os trêsao mesmo tempo, porque não? E vale também pela caprichada produção e belíssimas paisagens. Mas Richard Gere continua o mesmo. Ainda que isto sirva de alerta.

Nota: 6,0

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