quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Pecados Pessoais

Prepare-se para sentir aquele soco disfarçado de filme.

CHOKE - NO SUFOCO
(Choke; EUA, 2008)
Dir.: Clark Gregg
Com Sam Rockwell, Anjelica Houston, Kelly MacDonald, Clark Gregg
1h32 min - Comédia

Há um tipo de humor no cinema. Não é pastelão. Não é sofisticado. É um meio-termo. Um humor que choca, agride sem necessariamente ser apelativo. Encontra-se naquele tipo de filme em que você não recomendaria a um vizinho. Mas consta naquele filme em que considera um "pecado pessoal". Você gosta, imagina que pouquíssimas pessoas do seu círculo de amizades gostariam. Mas a vontade de indicá-lo está sempre na ponta da língua.

Em "Choke - No Sufoco", Victor Mancini (Rockwell, brilhante) é um "intérprete histórico" em uma simulação dos EUA colonial. Ele também é viciado em sexo. E sua mãe está agonizando em um hospital. Nào consegue se tratar e ainda por cima aplica pequenos golpes para tentar se sustentar. Mas ao passo que a condição de sua mãe piora, ela deixa escapar que tem um segredo que guardou a vida toda para Victor. Não contarei mais do que isso.

"Ela me chamou de Je..."

Choke é um filme curto, esperto, irreverente e sem dúvidas, engraçado até o fim. Sam Rockwell (sem dúvida, um dos melhores atores de sua geração), com seu jeitão de bêbado desiludido, domina o filme com facilidade. Sua futilidade e carência é rapidamente abraçada pelo espectador graças ao carisma que Victor consegue transmitir em meio aos comentários e decisões repugnantes que toma. Mas o real mérito de "Choke" é introduzir uma "reviravolta disfarçada" na metade do filme (você vai saber qual) e fazer com que ela cause um impacto ainda maior nos últimos cinco minutos. Se nada até então fizer sentido e você sentir uma vontade de tirar o filme, aconselho que espere. Porque quando a cena congela no momento certo, você é encaixado perfeitamente nos sapatos de Victor. As piadas inseridas durante todo o tempo (e os diálogos de Victor com seu amigo Denny já valeriam o ingresso) fazem com que todo o tema, teoricamente pesado de "Choke", dilua e torne a experiência mais divertida. O seu mais novo "pecado pessoal". Imperdível.

Nota: 9,5

Trailer (sem legendas):

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Sete Motivos

Sete motivos para ver "Sete Vidas"

SETE VIDAS
(Seven Pounds; EUA, 2008)
Dir.: Gabrielle Muccino
Com Will Smith, Rosario Dawson, Woody Harrelson, Barry Pepper
2h03 min - Drama - 14 anos



1-Will Smith
A melhor interpretação do astro. Entre o bad boy sanguinário, o lutador campeão do mundo e aquele bobalhão das aventuras embaladas pelos clipes musicais, existe um baita ator que vez em outra, faz um filmaço.

2-A direção de Gabrielle Muccino
O diretor italiano retoma a parceria com Smith, como fizeram no belíssimo "À Procura da Felicidade". Aqui, para contar uma história melancólica e pesada, o diretor/roteirista abusa da cadência e controla seu espectador por toda a extensão do filme. Acredite, durante todo o filme você nunca está um passo a frente dele.

3-O roteiro magnífico
É preciso chegar ao final para que você entenda a trama por completo. Perder um instante deste envolvente filme, certamente comprometerá a experiência. Ben Thomas (Smith) é um agente da receita federal com um segredo terrível, e que sem motivos aparentes, decide ajudar sete estranhos. O problema é quando se apaixona por uma das pessoas, o que pode colocar em risco seu projeto.

4-A sequência de abertura
Enigmática. Uma peça valiosa de um quebra-cabeça que define exatamente o tom do filme.

5-Rosario Dawson
Uma atriz que cresce a cada filme em Hollywood ganha um papel que realmente testa sua capacidade de atuar. Passa com louvores. Sua química com Smith é cativante. Sua expressão e carisma fazem toda a diferença.

6-Os atores Coadjuvantes
Todos os coadjuvantes possuem devida importância para o desenvolvimento da trama, com tempo perfeito em cena. Nunca exageirando e jamais abusando da paciência do espectador.

7-O final corajoso
Simples, forte e chocante. É o tipo de final que passa pela sua cabeça durante todo o filme, mas você não cogita porque prefere não cogitar. E na medida para encerrar uma das melhores surpresas que tive nos últimos anos.

Nota 9,5

Trailer:

sábado, 1 de agosto de 2009

Ponto de Exclamação!

Nicole Kidman e Hugh Jackman desperdiçam o seu dinheiro.

AUSTRALIA
(EUA/AUS, 2009)
Dir.: Baz Luhrmann
Com Nicole Kidman, Hugh Jackman, Bryan Brown, David Wenham
2h45 min - Drama



Ponto de exclamação. Pesquisando rapidamente pela internet, descobri que o ponto de exclamação é utilizado para indicar surpresa, contentamento ou para enfatizar emoções. Alguns até chegam a indicar o uso com devidos cuidados, com parcimônia e em poucas ocasiões. Talvez para não parecer exageiro. Com isso dito, chego ao ponto onde digo que assisti a "Austrália" há mais ou menos um mês. Não li o roteiro escrito, mas poderia apostar que o uso de pontos de exclamação não foram poucos. Não foram utilizados com cautela. E com certeza sem os "devidos cuidados".

No filme, a personagem de Nicole Kidman chega ao país do título, tentando se livrar da imensa propriedade da família, mas ao se deparar com o marido morto e com algumas irregularidades no local, decide se livrar das milhares de cabeças de Gado, para tentar arrecadar dinheiro para a falida fazenda. Com a ajuda de um homem robusto (Hugh Jackman) e dos funcionários da fazenda eles cruzarão milhas para efetuar a venda para o exército, mesmo com o iminente ataque aereo japonês.

"Assista ao nosso filme! Olha só como ele é divertido!"

O que dizer sobre Austrália? Ponto de exclamação, sem moderações. Cascatas de clichês empurram uma história que prefere focar num romance barato e sem graça, pontuados por tragédias tão exageiradas, do que no drama de época em si. O vilão é muito mau, e muito inescrupuloso, tudo é muito difícil, os diálogos são muito pretensiosos, a atriz tem uma péssima interpretação e entre inúmeros outros pecados, a cultura dos arborígenes australianos é reduzida a clichês, minimizando toda a sua importância histórica a um garotinho chato. E os momentos que deveriam divertir, acabam por conduzir seu (já) sonolento espectador a implorar pelos créditos finais. Austrália não diverte, não encanta e o pior de tudo, não faz o espectador a refletir sobre absolutamente nada nas duas horas e meias que passaram. Apenas sobre o dinheiro gasto para perder seu tempo. Quando na locadora, alugue o filme que estiver ao lado. Seja ele qual for.

Nota 1,0

Trailer:

terça-feira, 23 de junho de 2009

Na Contramão

O Anti "Sin City"

THE SPIRIT - O FILME
(The Spirit; EUA, 2008)
Dir.: Frank Miller
Com Gabriel Macht, Samuel L. Jackson, Eva Mendes, Scarlett Johansson
1h 42 min - Ação


E novamente aos filmes de super-heróis. Novamente mergulhando no cada vez mais explorado universo das adaptações de HQs, que ainda não tão conhecidos pelo grande público do país, mas que tem rendido uma boa parcela de filmes produzidos nos últimos anos. "Sin City" e "300" abriram as portas para a saudável exploração de fundos falsos e para os extensos trabalhos de pós-produção, que acabam por selar o visual dos desenhos. E seguindo esta linha, o herói da vez, é o Spirit.

Denny Colt é um detetive assassinado que ganhou uma espécie de sobrevida e por isso continua servindo Central City, para protegê-la do Octopus, uma espécie de gângster que domina o crime organizado e pretende fazer a amada cidade do personagem-título sumir do mapa. E no caminho, o fraco do detetive: As mulheres, de ambos os lados da lei, que poderão traí-lo ou ajudá-lo a qualquer momento.


"Você perdeu esta chave?"

Em todo filme de super-heróis, um fator deve ser crucial para o sucesso da história: Credibilidade. E a grande falha deste filme é ter um personagem principal fraco, que ainda que passe a maior parte do tempo em cena, não consegue passar credibilidade para seu público, escondido atrás de uma máscara e de uma fraquíssima interpretação. O segundo fator para o sucesso da história: Um vilão ameaçador. Nem mesmo a força de Samuel L. Jackson consegue fazer de Octopus, um vilão crível. Ok, entendemos o tom pastelão de um antagonista que aos 15 minutos de filme diz que "Privadas são sempre engraçadas". Mas acredito que este é o tipo de frase para um coadjuvante engraçado e não de um personagem que deve fazer o espectador temer pela sua segurança. As cenas de ação (fracas) se perdem em tanto fundo falso (proposital) e acaba por intensificar a má atuação dos envolvidos. Tudo aqui é de fato exageiro. Negativo exageiro. "Sin City" dá um banho em termos de história e interpretação (mesmo que as interpretações do filme de Robert Rodriguez não sejam lá tão boas). A cara da HQ está lá, o que serve por ressaltar o bom e impressionante trabalho técnico de pós-produção. E só.

Nota: 2,5

Trailer: